Manifesto da Comuna

Para tomar o destino nas nossas mãos e assegurar-nos um futuro

Quando você diz que não gosta de política, não está exercendo um direito. Cê tá apenas terceirizando todos eles. Quando você prefere não opinar sobre alguma coisa, não está apenas exercendo um direito. Cê tá sendo conivente para que o discurso hegemônico continue imperando. Mesmo assim você diz que as coisas precisam mudar. Engraçado, né? Pois é, nem um pouco.

Eu sempre gostei de política, mas também sempre tive receio de falar sobre. Principalmente para evitar a fadiga, sabe? Evitar o confronto, evitar  me indispor com alguém por algo “que não se discute”. É incrível como essa ideia de que “política, religião e futebol não se discutem” esteve impregnada na nossa sociedade e em algumas bolhas ainda está.

Mas depois de muito tempo eu fui entender que isso era um manobra. Não para evitar conflitos entre as pessoas, é claro, mas para evitar que a grande massa discutisse assuntos que a pudessem libertar da opressão das elites de poder, pelo menos quanto à política e à religião. Quando você questiona, você incomoda quem se beneficia com a sua inércia.

E na verdade esse é o objetivo do Comuna de Paris. Incomodar. Provocar. Fazer com que você pelo menos saia com a pulga atrás da orelha… tenha vontade de saber mais sobre algo e questionar isso. Sair da inércia e, no mínimo, ficar desconfortável em relação às desigualdades, à injustiça, ao ódio e à destruição do nosso mundo. 

Aliás, foi a partir desse desconforto, dessa incomodidade com o rumo que a França parecia estar seguindo, que a Comuna de Paris revolucionou tudo lá em 1871. Ela foi o exercício pleno do direito popular de decidir o futuro, de participar da política, de olhar além do próprio umbigo e de construir uma ideia de coletividade social que pudesse se contrapor à ganância e à avareza.

Estamos no momento perfeito para que esse espírito renasça. Um momento em que as liberdades parecem, de novo, um desejo louco. É momento de desconstruir para descobrir o futuro.

Por trás do microfone

Manifesto da Comuna

Marcelo Rodríguez

Apresentador

Oi! Meu nome é Marcelo, tenho 25 anos e sou o que o ministro Weintraub gosta de chamar de comunistinha e de chato. Sou gaúcho, criado no Uruguai, e ex-coxinha. Desde que passei a viver na realidade brasileira, fui abduzido pelos ideais esquerdistas.

Sou estudante de Jornalismo (quase me formando), bissexual e genderqueer, que tem muita, mas muita vontade de que essa sociedade seja de verdade justa, livre e sustentável. Acho que o primeiro passo para isso é questionar o status quo de absolutamente tudo.

Comuna de Paris?

Foi a primeira experiência de governo socialista da Europa, em 1871. Ela resultou da insurreição popular dos parisienses contra o rumo que tomava a Terceira República Francesa, na etapa final da guerra Franco – Prussiana.

Além de inspirar outras revoluções populares pelo mundo, a Comuna de Paris fundou as bases de um sistema político baseado na democracia participativa e suas medidas foram o início do que hoje se conhece como Estado de bem-estar social.

Apesar de ter durado apenas dois meses, essa experiência alcançou reformas importantíssimas, como o acesso à educação gratuita e laica, a moradia como direito e o trabalho digno para todos, além de ter incluído as mulheres na vida política, que lutavam pelo sufrágio universal.

Ilustração de “O grito do povo”, a narração em desenho realizada por Jacques Tardi sobre a Comuna de Paris

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Infelizmente, como você já bem sabe, não fazemos quase nada sem que isso custe dinheiro. Para manter o Comuna de Paris temos vários custos, mas também queremos continuar crescendo e chegando a mais pessoas. Acreditamos que só assim poderemos construir uma sociedade, no mínimo, mais crítica. Além disso, tem mais algumas recompensas por nos ajudar.

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